viajar ensina

A vida é cheia de emoções e surpresas. As viagens também. Nesse tempo de quarentena, perguntamos a cada um da equipe Casamundi:

“Que lição alguma viagem te ensinou, que faz sentido agora?”

Itália

Agradeça e retorne às suas origens

Meu filho, então com dois anos de idade, e eu, nos perdemos do pai dele em uma viagem a Roma. Estávamos sem dinheiro para táxi ou comida. Simplesmente parei para meditar, em meio àquela multidão. Foi quando lembrei de algo importante: quando tudo parece dar errado, pare, respire, recue ao seu tempo e então recomece. Caminhei até o metrô mais próximo e retornamos ao hotel. Mais tarde, o pai do meu filho nos encontrou lá. Quando tudo parece dar errado ou não fazer sentido: pare, respire, faça uma pausa e encontre seu ponto de origem, até que tudo volte ao normal.

Catiane Marques – Consultora de viagens

Irã

Muito além da mídia

Quando decidi ir ao Irã, a primeira sensação que tive foi medo e insegurança. O país que se construiu no meu imaginário a partir da mídia internacional, das dissonâncias com o ocidente, das controvérsias. Ao chegar ao meu destino, descobri um lugar encantador, repleto da exuberância da antiga Pérsia, da arquitetura dos grandes xás, das paisagens de tirar o fôlego. O Irã vai além do que vemos no jornais, tem um povo hospitaleiro, completamente alheio às questões políticas, orgulhoso do seu patrimônio, dos seus poetas, da sua história. O dito “País dos Aiatolás” é feito de pessoas que desejam progredir, viver sua história e estão engajadas em mostrar o verdadeiro lado da moeda.

Tiago Halewicz – Diretor cultural

Lima, Peru

Educação e empatia são o melhor caminho

Me chamou a atenção, nessa viagem, a valorização da educação. Não só no sentido da boa convivência, do respeito ao próximo e suas igualdades, particularidades e diferenças. Também a educação histórica, a que traz a consciência social e política do próprio presente e do passado. Por todo lugar, educação, conhecimento e empatia. Neste atual momento, de isolamento e angústia, penso na necessidade premente da busca pelo bom saber, pela real notícia, o valor do livro, a relevância da ciência. Com isso, teremos condições de conhecer a dificuldade e o que ela impõe: poderemos melhor auxiliar um amigo cheio de dúvidas, uma irmã com a ideia errada, um vizinho em dificuldade. E, importante, melhor acompanhar e questionar os governantes que nos conduzem. Qual seu nível de altruísmo, sua educação? Conhecer nossa realidade, nossa história, a história do mundo, nos tornará eleitores mais conscientes. Líderes de verdade lutam contra o caos, não os alimentam. Precisamos valorizar a educação, histórica e empática, para crescermos como seres humanos. Como fazem nossos vizinhos peruanos, cientes do futuro que querem para si.

Gian Carvalho – Gerente de Câmbio

Cusco, Peru

Aprenda a se virar sozinha(o)

Fui para o Peru com uma amiga, mas, como eu tinha mais tempo de férias do que ela, fiquei uns dias a mais. Eu nunca tinha viajado sozinha. A ideia de que eu podia fazer o que quisesse, sem precisar combinar nada com ninguém, sem seguir uma programação, era totalmente nova. No início fiquei um pouco perdida, mas aos poucos fui me dando conta de que a minha companhia era mais que suficiente. Todas as escolhas eram livres: onde comer e a que horas, o que visitar, se preferia caminhar ou pegar um táxi. A interação com outras pessoas também fica mais propícia quando se está sozinha.
E assim aprendi a me virar, a não ter medo, nem vergonha, afinal não tinha em quem me apoiar, dependia apenas de mim mesma. Sinto que nessa viagem aprendi uma lição pra vida, me tornando mais independente e curtindo a minha própria companhia, algo super importante nesses tempos de confinamento.

Thirza Moreira – Gerente Casamundi

Brasil

Não esqueça a sua bagagem

Para qualquer viagem na vida, o importante é nosso estado de espírito. A experiência sempre vai ser o que faremos dela. Lembro da vez em que esqueci a minha mochila em uma Páscoa em que fomos a Torres, no RS. Eu tinha oito anos e, na correria da saída de casa, ajudei a levar as demais para o carro e ninguém pegou a minha. Fiquei chateada por um segundo e aí lembrei que não adiantaria em nada, só estragaria meu passeio. Chegando lá, já tinha história para contar. E foi um final de semana inesquecível. Em outras viagens, sempre levei isso comigo, principalmente ao ter uma mala extraviada, acontece. Há pouco passamos o aniversário do meu marido na Serra Gaúcha, e meus filhos esqueceram as mochilas. Levamos tudo com bom humor. O segredo é esse: viajar e conhecer outras culturas é uma bênção, e o importante é a nossa bagagem interna, a que vai, a que aproveita e a que volta. E é essa bagagem interna que é importante nesse período que estamos passando. Não esqueçam de cuidar dela! Simplifiquem.

Fernanda Dora – Assessora de imprensa e consultora de viagens

Tailândia

Precisamos confiar uns nos outros

Em uma viagem à Tailândia, estava em um loja em Bangkok para comprar umas almofadas. Não havia todas as cores que eu queria, então o atendente me deixou na loja sozinha e saiu para buscar em outra loja. Me surpreendi e ali vi que ainda existem pessoas honestas, que acreditam nos outros. Fiquei ali por uns 15 minutos e vi que acontecia o mesmo em outras lojas. Às vezes eu entrava, e não havia ninguém para atender. Os funcionários haviam saído, a loja ficava sozinha, e ninguém roubava nada.

Majo Carneiro – Consultora de viagens

Índia

Equilíbrio é fundamental

Em 2018, fiz uma viagem ao sul da Índia, e foi uma experiência transformadora. Aprendi a respeitar meu tempo, meu instinto. Mente sã, corpo são. Lá a gente entende que o sagrado é a conexão com nosso interior e o alinhamento com a natureza. É uma viagem para sentir e aprender, com pessoas que têm uma ligação mais pura com a vida. Isso me trouxe mais equilíbrio e, nesses tempos de isolamento, saber mantê-lo tem sido fundamental.

Fernanda Morassutti – Diretora Comercial e Sócia

Portugal

Aprenda a viver sem roteiro

É nos perdendo que nos encontramos. Sem o auxílio de aplicativos e afins, muitas vezes não conseguimos nem dar a volta na quadra. Viver sem esses recursos é algo quase inimaginável. Em 2011, a melhor ferramenta que conhecia era o GPS – opcional quando se alugava um carro. Minha primeira viagem à Europa foi na companhia da Chay. Com um livro e um guia de viagem desbravamos Portugal, na cara e na coragem. Aquele clássico que acontece até perto de casa: eu, de copiloto, avisava – às vezes em cima da hora – entra aqui, entra ali e nos perdemos algumas vezes. Conversávamos à noite sobre as peripécias do dia e os planos que vinham pela frente. O papo rolava solto, sem interrupções de whatsapp ou Skype. Sei que a tecnologia está aí para facilitar, mas fizemos uma grande aventura contando apenas uma com a outra. Em duas semanas aprendemos que às vezes devemos ser um pouco como Dorothy, no Mágico de Óz: sair da trilha e ver o que há nos arredores. O “fora do script” sempre pode surpreender.

Maria Virginia Ribeiro – Consultora de viagens

Chile

Conecte-se: com o próximo, com a natureza e com você

Todas, absolutamente todas as viagens, me ensinaram alguma coisa. Há uns dez anos iniciei minha jornada pelo autoconhecimento ao mesmo tempo em que passei a viajar mais, pela profissão e pela vontade de ver a complexidade do mundo e trabalhar minhas crenças. A cada viagem busquei tirar a melhor experiência, para mim e para o próximo, pois quando você se abre e se transforma, sua luz contagia. Uma viagem que me marcou bastante foi a do Deserto do Atacama: planejada com quatro amigas e clientes, um destino de natureza áspera e encantadora. Ah, como foi bom me conectar comigo, com elas e com a energia daquele lugar.

Chay Amorim – Diretora administrativa e sócia

Cuiabá, Brasil

Mantenha o foco, e o aprendizado vem

Em 1990 morei em Cuiabá por um ano. Fui para lá dar aula de dança e aprender a me virar sozinho. Até então, vivia com meus pais e às custas deles. Fui contratado. A proposta era excelente, ganhava bem, sem despesas adicionais. Na metade daquele ano houve uma ruptura, por incompatibilidade de ideias, e pensei em voltar. Em meio aos ajustes que fazia para voltar a Porto Alegre, recebi outra proposta, de um concorrente. Porém, iria receber a metade do salário, e teria que pagar as despesas adicionais. Quase com o pé no ônibus, lembrei que meu objetivo era aprender a me virar sozinho. Colocando na balança, cheguei à conclusão que a segunda oportunidade era a que de fato possibilitaria atingir meu objetivo. Comecei a entender o quão difícil é conseguir conciliar tudo, despesas e ganhos. Aos 22 anos aprendi a valorizar mais o convívio com a família e as pessoas que me são caras, estando longe delas. Acabei tendo uma ótima relação nos dois trabalhos. Fui para dar aula e acabei levando aprendizados para a vida toda.

João Pereira – Gerente financeiro

Alemanha

Derrube os muros dentro de você

Em tempos de quarentena, onde somos obrigados a conviver mais com nosso núcleo familiar e a sentir falta do restante da família, dos amigos queridos, da rotina que move a gente, meu lado mais sensível me fez lembrar da minha última viagem para a Europa. Mais precisamente Berlim, uma cidade encantadora e rica em fatos marcantes e história. Hoje tenho em mim um pouco do muro de Berlim! Sorte a minha, sorte a nossa que este muro logo cairá! Os alemães não têm melindre nenhum em contar sua triste história, pois acreditam que o que aconteceu no passado precisa ser relembrado para não se repetir no futuro. Fica aqui meu desejo de que cada um encontre seu equilíbrio, sua generosidade, seu lado crítico, e que a quarentena não se estenda ao nosso intelecto e ao nosso espírito.

Tarcila Mello – Consultora de viagens

Estados Unidos

Somos parte de algo maior

Nesses dias em que estamos mais solitários do que nunca, precisamos nos conectar internamente. Olhar para dentro e respirar calmamente. Analisar pensamentos, introjetar sensações, sentir-se fazendo parte de algo muito maior que nossas quatro paredes. Estamos nos protegendo e principalmente protegendo o próximo mais vulnerável.
Há um tempo visitei o Grand Canyon, nos EUA, na parte próxima a Las Vegas. Estava eu caminhando completamente só naquela imensidão. O silêncio só era quebrado pelo barulho do vento ou por alguma ave que passava no céu. Aquele vazio colorido e gigantesco à minha frente fez com que me sentisse minúsculo, um grão de areia a mais no universo. Por outro lado, o sentimento de pertencimento foi tão grande quanto os paredões que brotavam ao meu redor. Pequeno, sozinho, calado e em estado de graça por me sentir fazendo parte de algo maior, muitas vezes incompreensível, mas entregue à paz que só existe quando somos nós mesmos e nada mais.

Luciano Terra – Desenvolvedor de produtos

Mundo

Saiba lidar com imprevistos

Cada viagem que fiz foi diferente e cada uma teve suas particularidades. Sozinha ou acompanhada, passando meses, semanas ou um final de semana, que seja. Em todas elas aconteceram imprevistos. E saber lidar com eles sempre foi um desafio. A teoria da frase “não conseguimos controlar tudo” é sentida na prática. Uma dor de barriga em Amsterdã, que fez os dias de turismo ficarem menos intensos, mas ainda assim, bem vividos! Dias seguidos de chuva que me fizeram conhecer uma Montevidéu que não estava nos planos. Um hostel, em Cusco, que não aceitou minha reserva, e acabei indo para outro, onde fiz amizades para a vida. Nem tudo sai como a gente quer, mas dá pra aproveitar e tirar o melhor da experiência. Muitas vezes uma adversidade é uma oportunidade de rever planos e de seguir em frente com outro olhar.

Ana Paula Neri – Relações Públicas

E você, que aprendizado de uma viagem ficou para a vida, e que faz sentido agora?

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